Artigo publicado esta sexta-feira, na coluna «Verticalidades» do semanário Primeira Página:
Poderíamos ser tentados a escrever “rei morto, rei posto”, mas a realidade é bem outra. A monarquia é que está morta e enterrada e a República comemorará o centenário em 2010 e até já há comissão constituída para organizar o evento.
O que aconteceu foi apenas a eleição de Cavaco Silva para suceder a Jorge Sampaio.
É a primeira vez, em mais de trinta anos de Democracia, que teremos um Presidente da República, oriundo da área política entendida como centro-direita. A esquerda não está habituada - como se compreende - a esta realidade, mas saberá conjugar os seus interesses com a realidade e, arranjará discernimento para impedir que os seus receios sejam um dia realidade.
A esquerda lançou todas as cartas que julgou úteis e oportunas para derrotar o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, mas o povo, na sua soberana decisão entregou, por apenas cerca de sessenta e quatro mil votos, o cargo a Cavaco Silva.
Os candidatos líderes partidários não esconderam o seu comprometimento com o partido e com o cargo que ali exercem e conseguiram resultados mais ou menos equiparados à expressão popular alcançada noutros sufrágios.
A diferença residiu na soma dos votos alcançados por Mário Soares (apoiado pelo Partido Socialista) e Manuel Alegre (dirigente mas que se candidatou à revelia do PS) e a quem o resto da esquerda atribui o triunfo de Cavaco Silva, o que, compreensivelmente é refutado pelo directório presidido por José Sócrates.
É certo e notório que a esquerda terá de reflectir nestes resultados para compreender o que a levou à derrota, mas também é imperioso que o PS, no seu todo, saiba evitar que o movimento que os apoiantes de Alegre se propõe dinamizar, não dê origem a um novo partido.
A dúvida reside no modo como os apoiantes de Alegre forem recebidos de regresso às suas tarefas no PS, pois sabe-se que “desobedeceram” às orientações do órgão dirigente para o apoio a Soares.
Se estes militantes forem hostilizados, um novo partido pode surgir.
Jorge Santos
Publicado por dizerbem em janeiro 27, 2006 12:27 AMUm balanço muito bem elaborado. É o balanço que nós portugueses merecemos e cada um tem o balanço que merece.
Balanço: um indicador que deixa perceber a inconstância deste incompreensível povo.